segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Perseguição e troca de tiros gera morte

São Paulo





Segundo a PM, suspeitos fugiram e atiraram contra a viatura; um dos homens morreu após ser baleado e o outro foi detido

Vitor Oshiro

Perseguição. Troca de tiros. Viatura alvejada. Um suspeito baleado e morto. As cenas que se encaixariam perfeitamente em qualquer filme policial ocorreram na madrugada de ontem em Bauru. Após perseguir uma motocicleta com dois homens, a Polícia Militar (PM) se envolveu em uma troca de tiros e o suspeito que atirava contra a viatura acabou sendo baleado e morto.

O fato aconteceu por volta das 1h30, quando a viatura da PM fazia um patrulhamento de rotina na rua Vicente Barbugiani, no Jardim Godoy. Ao avistarem dois homens que estavam em uma motocicleta, placas CGY 3144, de São Paulo, os policiais emitiram uma ordem de parada, entretanto, não foram atendidos. Começou então uma perseguição por várias quadras.

De acordo com os policiais, quando a perseguição chegou na rua Moussa Tobias, o homem que estava na garupa, Ricardo Andrade Silva, 37 anos, começou a atirar contra a viatura. Mesmo sob tiros, a perseguição continuou por algumas ruas, inclusive várias na contramão, como a Boa Esperança e a Padre Anchieta.

Ao chegar na rua Bela Vista, na Vila Camargo, Ricardo teria saltado da motocicleta e continuado a disparar contra a viatura. Nesse momento, os policiais também desceram do veículo e começou a troca de tiros. Ricardo foi atingido no peito e, segundo a PM, mesmo caído ainda fez mais alguns disparos.

O outro homem, Claudinei Geraldo Ferreira Domingos, 24 anos, que dirigia a motocicleta também foi capturado. Conforme relatam os policiais, ao ser detido, o suspeito estava com uma pistola 635 e afirmou várias vezes que “falou para seu companheiro não atirar na polícia de maneira nenhuma”.

Ele foi conduzido ao Plantão Policial, onde o delegado Carlos Creppe Júnior o autuou por porte ilegal de arma. Claudinei não tinha registros na polícia e não foi responsabilizado pelos disparos contra a viatura.

Já Ricardo, que havia sido baleado, chegou a ser socorrido pelos próprios policiais, entretanto, chegou ao Pronto-Socorro Central sem vida. Com ele, foram encontradas duas armas de fogo: um revólver calibre 38 e uma pistola 380.

As duas armas estavam com os cartuchos deflagrados e, de acordo com a capacidade de ambas, calcula-se que tenham sido disparados mais de 10 tiros contra a viatura. Já, segundo o delegado plantonista, os policiais efetuaram quatro disparos.

Lista de crimes

Quando a ocorrência foi conduzida ao Plantão Policial, Ricardo Silva ainda era desconhecido. Mas no levantamento realizado pela polícia foi identificado que ele teve várias passagens pelos crimes de roubo, porte ilegal de arma, formação de quadrilha, tráfico e até mesmo homicídio. Em sua casa, policiais encontraram um RG e uma carteira de habilitação falsos. Além desses crimes, ele tinha ainda uma condenação de mais 7 anos a ser cumprida.

Bastante triste, o pai de Ricardo, Davi Oliveira Silva, 65 anos, afirmou que não imaginava que o filho havia voltado para a criminalidade. “Ele cumpriu o que devia e eu não sabia que ele estava nessa vida de novo. Ele saiu da cadeia, se casou e separou um tempo depois. Teve uma filhinha nesse casamento. Depois que se separou, veio morar comigo, onde estava ultimamente”, disse.

De família evangélica, o pai afirma que não guarda ressentimentos sobre o que aconteceu. “Estou triste, mas, se foi do jeito que estão falando, eu não posso fazer nada. Ele conhecia a palavra de Deus. Optou por não segui-la. Fiz o que pude como pai para colocá-lo no caminho certo. Infelizmente, ele não foi por esse caminho”, concluiu, visivelmente abalado.


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“Fomos fazer uma fita”

O policiais militares que participaram de toda ação afirmaram que, após deter Claudinei Domingos, ele teria dito que foi chamado por Ricardo Silva para “fazer uma fita”. Segundo ele, o suspeito baleado e morto teria dito que precisava de uma carona para acertar contas com um homem que o teria ameaçado de morte. Ainda de acordo com Claudinei, ele teria conhecido Ricardo na igreja.

O suspeito também alegou que a pistola que estava com ele era de Ricardo. Entretanto, após detido, a polícia fez uma revista na residência de Claudinei, localizada na rua das Domésticas, no Núcleo Residencial Édison Bastos Gasparini, e encontrou uma caixa de munição da pistola.

No local, além da munição, ainda foram encontrados um tijolo de maconha e crack, com peso total de cerca de 300 gramas. Claudinei, que havia sido autuado somente pelo porte irregular de armas de fogo, foi novamente autuado pelo novo crime.

Até o início da noite de ontem, o homem que estaria jurado de morte por Ricardo e Claudinei ainda era procurado. Segundo informações fornecidas pela polícia, discordâncias em relação à divisão de bens obtidos por meio de roubo e furto teriam gerado a desavença entre os três.



fonte:www.jcnet.com.br

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